um modo de retocar

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á não muito tempo fui convidado a contribuir imagens para um site de “fine art photography” que dizia conservar a integridade da coisa. Mesmo sem saber muito o que seria isso, pensei “eba!” e fui ver do que se tratava. Não aceitavam fotografia digital, e não aceitavam scans tratados.

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Exposição em cromo 6×6. Sabrina ficou horas sendo pintada de branco!

Antes disso, tentei entrar em um concurso europeu de fotografia de paisagem. Na época eu queria especificamente ver como se sairiam umas coisas que eu fiz em HDR, porque tinha achado um modo de fazer aquilo sem usar um software comprado, e ficava quase igual. Não pude entrar porque o regulamento proibia, especificamente, o HDR. Especificamente: podia-se tratar as imagens, pintar e bordar, mas nada de high range.

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Exposição em cromo 6×6. Finalização digital

Levei um tempo para adaptar-me no mundo da foto digital. Parte desse tempo foi aprender o quanto estava disposto a alterar a imagem para chegar no meu conceito.

A resposta é “o que for necessário”. Isto não significa que faço a exposição de qualquer modo: minha formação no uso de película me criou uma trava que me faz tratar cada quadro como uma coisa séria e cara. O curioso é que todos os fotógrafos que conheço, que começaram com digitais e realmente dedicam-se à paixão fotográfica, compram câmeras de filme. Querem ter essa experiência e querem adquirir esse cacoete que nos faz valorizar cada foto.

A tecnologia digital traz embutido o risco de, sutilmente, a vida real ir ficando sem graça. Como não há limite técnico, ignora-se o limite lógico. Hollywood anda colocando tanto dinheiro em CGI que não sobra para pagar roteiristas, e o resultado é que os filmes são umas porcarias, mesmo sendo roteiros velhos revisitados ou revistinhas da Marvel. A cena do elfo Legolas, subindo degraus de pedra que desabavam, desafiando as leis da física no filme do Hobbit, foi de lascar!

Minha solução particular, e que eu recomendo porque acho razoável e coerente na maioria dos trabalhos, é usar o pincel do Photoshop como uma ferramenta de laboratório. Quando estamos trabalhando no ampliador, tentamos mascarar (dodge/burn) partes da imagem com as mãos ou com bandeirolas de cartão e arame, com o cuidado de não deixar nenhuma marca definida. Ao usar o pincel digital procuro fazer algo semelhante: com o flow em cerca de 10 ou 20% e hardness em zero, vou pintando como se não tivesse outro jeito, deixando “vazar” algo como vazaria inevitavelmente no mundo real. Funciona!

Na verdade este é o mundo e estas são as imagens que estamos habituados a ver desde sempre. Um pouco de imperfeição técnica, e inteligência conceitual, fazem muita diferença.

Universo
A pincelada aleatória é o que torna a máscara sutil

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