Leica, Quase Lá.

A

Leica acaba de lançar uma câmera nova, a Q typ 116. É uma point-and-shoot de 24MP full frame, com uma lente fixa Summilux de 28mm, f/1.7, e foco automático. Traz um finder eletrônico além da tela traseira, o que a torna a segunda mirrorless full frame a usar as lentes da Leica. A primeira foi a Sony A7.

Bem, vejamos. Cameras mirrorless (sem o espelho do sistema reflex, portanto menores. Pense no Cartier-Bresson segurando sua Leica, bem discretamente) com sensores full frame são o nosso sonho dourado, porque reunem leveza e praticidade com a capacidade de produzir arquivos grandões. Além disso não tem aquele sistema complicado de espelho e prisma, portanto menos algumas coisas para quebrar!

A Fuji iniciou a nova era das rangefinders (sem espelho) com a espetacular X100, e os fabricantes acordaram para a existência de um nicho grande de fotógrafos que não querem carregar uma reflex enorme, mas também não querem ficar fotografando com celular, olhando uma telinha traseira com os braços esticados.

A Sony lançou então a A7, que recebe as lentes Leica, mas a performance não é a mesma. De modo geral uma câmera funciona melhor com suas lentes nativas, e isto vale tanto para Leicas e Lomos.

Mas o lançamento da Sony foi importante porque a Leica, como a Hasselblad, é uma empresa de relojoeiros que fazem as lentes e sistemas mecânicos mais espetaculares do planeta. Nada supera uma lente Leica para 35mm, ou uma Hassel para formato médio. O problema é que não manjam muito de sensores, firmware ou reprodução digital de cores, e nem chegam aos pés da Canon e da Nikon nesta tecnologia nova. Quase afundaram por isso. A Sony é uma fabricante de brinquedos eletrônicos, e nem pretende ser uma Canon ou uma Nikon. Colocar na A7 uma baioneta Leica arregalou os olhos de muita gente, mas no final a coisa ficou no limbo: um sistema caro com performance de brinquedo.

Voltando ao sonho dourado de todo fotógrafo, queremos uma rangefinder inteligente como as Fuji, full-frame como as reflex grandonas, com lentes Leica numa ponta e o sensor, o firmware, o cuidado e o alto padrão de qualidade das Canon. Isto ainda não existe, mas podemos ver uma poeirinha no horizonte.

Esta Leica tem o sensor, o finder e a lente (só falta deixar a patota trocar de lentes, hein Leica?). Coloquem o know-how da Canon e os dials fáceis e diretos da Fuji, e eu posso sonhar em pagar a montanha de dinheiro que eles pedem…

 

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