Sentinela

sentinela

I

magem tomada com uma Linhof Technikardan 4×5, lente Sinaron S 210mm em Fujichrome Velvia 50.

Este filme não existe mais, tendo sido substituído pelo Velvia 100. A reprodução de cores é fantástica e o grão, inexistente. Tenho um scan deste cromo, feito em um bom scanner, que gerou um arquivo com tamanho 80x100cm em 300dpi – sem nenhuma interpolação ou nada do gênero – e não se vê defeitos. Mas o cromo é tão mais belo que pode-se montá-lo em uma caixa de luz e mostrá-lo no tamanho original!

O que possibilitou fazer esta imagem foi meu treinamento. Estava dirigindo em Minas Gerais num fim de tarde quando vi a cena pelo retrovisor. Sabia que tinha cinco minutos ou perderia a composição, porque a Lua se move rápido. Sabia que não poderia usar exposições de 15 ou 20 segundos porque tinha visto a nuvem que ameaçava atrapalhar tudo!

Escolhi a abertura da lente enquanto montava a câmera, tripé, compunha, focava, apanhava a chapa… quando medi as sombras (que não incluí na parte inferior) e as altas luzes (horizonte, bem perto do morro), vi que tudo bem: exposição 1 segundo.

Não conseguia medir a Lua, mesmo com o meu fotômetro spot; muito pequena. Lembrei então do Ansel Adams, que me ensinou que a Lua nesta posição devia medir um pouco abaixo de 250c/f. Calculei, rezei, fiz a exposição e fui-me embora. Não pude nem fazer outra chapa porque a Lua e a nuvem se encontraram.

Pode-se ver as folhas das árvores e o capim no pasto, perto da antena. O capim no primeiro plano ficou fora de foco porque não houve tempo para fazer nenhum ajuste de báscula ou ponto de foco

Se precisasse fazer uma coisa de cada vez teria perdido a foto!

francesca

E

sta é a jovem atriz Francesca Maldari. Traços fortes e o olhar pleno de personalidade. Um prazer fotografá-la.

francesca-5518
Francesca. Captura digital.

 

 

 

 

resgatando o polaroid

E

sta imagem é uma captura digital. Foi feita com a intenção de resgatar os limites e a estética do material Polaroid que eu usava quando ainda existia. A tecnologia digital foi usada da melhor forma possível: permitindo que testes e mais testes sejam feitos sem custo algum de material.

pippa-4841
Filipa, Canon 6D, 100mm macro, Hosemaster LightPainting Rig. Exposição 30 segundos!

Para obter este efeito usei a técnica de Light Painting, que consiste em abrir o diafragma da lente e, com o estúdio completamente escuro, usar uma lanterna ou qualquer fonte de luz contínua para expor partes do motivo de formas às vezes bem diferentes. O movimento é esperado, no caso de uma pessoa, e bem vindo, porque o Polaroid raramente era exposto por menos do que 1,5 segundo.

No Photoshop, controla-se o contraste pela técnica de aplicação de camadas de cor, usando os modos de blending e o “blend if” até chegar perto do que o Polaroid era capaz, em termos de latitude.

O sépia era produzido quando expunhamos um negativo P&B e colocávamos na processadora com um papel cor. Aqui foram usadas algumas camadas de ajuste P&B, com tingimento e novamente os blending modes. É preciso considerar separadamente as luzes, sombras e tons médios.

Ficou bem parecido!

Lost Boys

C

erta vez quis fazer um ensaio inspirado nos meninos perdidos da turma do Peter Pan. O que tinha em mente só podia ser feito com uma câmera de báscula.

kitty-lost-01
Roberta Matyas, a.k.a. Kitty, Wisner 8×10″, Rodenstock 360mm, Polaroid 801

O foco tinha que ser muito restrito, mais do que um diafragma bem aberto poderia me dar, especialmente um diafragma de lente pequena, construída com um formato de película pequeno em mente. Além disso a pele, fosse em foco ou fora dele, tinha que ser muito rica em valores. Aliás, estes eram dois parâmetros importantes para a escolha de formatos, além dos que todo mundo conhece (grana, ampliação pretendida). Os quadradinhos 35mm, 60x60mm e 60x70mm estavam eliminados por princípio.

Para dificultar um pouco minha vida, e muito a de minha modelo Roberta, escolhi usar luzes de teatro. As sobras que produzem são muito mais macias e interessantes que as de uma tocha eletrônica. Não consigo explicar bem porquê, mas fotógrafos concordam comigo! Tinha 2.500W de luz para usar com Polaroid 8×10, que era ISO 100 mas eu expunha a 50. Exposição média de 2 segundos.

Mexi muito no plano da lente, nos dois eixos, de forma que pode-se ver direitinho como o foco passa pelo olho esquerdo, nariz, parte da testa, uma mecha de cabelo e só.

O resto é a performance brilhante de Ms. Kitty!

 

A Pele

thais-5410

F

oto realizada para o projeto cênico de uma performance musical. Uma história, contada na pele.

marina e as flores

E

sta foto foi realizada com uma câmera Wisner Technical Expedition 8×10″. É uma field camera, não uma view: feita de madeira e construída de forma que dobra-se em forma de uma pequena maleta para facilitar o transporte. Mais leve, sua contrução tinha em mente a paisagem, sendo seus movimentos mais restritos do que os de uma view camera. O filme foi Polaroid, e com ele podia-se estourar os brancos e reter-se as sombras intactas, resultando neste efeito de desenho: a modelo parece estar flutuando no nada.

marina-caz-rosas07
Marina Caz, Polaroid 805, luz de teatro, Rodenstock 360mm f/8

Este é também um exemplo do que se pode fazer com o foco em uma câmera de grande formato. Coloquei o foco nos olhos da modelo e inclinei o plano da lente um pouco para a frente, colocando o plano de foco nos olhos e mãos. A abertura alargou o campo em foco, mas como estava inclinado, o fez em direção aos ombros, como era a intenção. Só se pode fazer isso com um equipamento de grande formato. As lentes Tilt-Shift para as atuais DSLR só conseguem corrigir perspectiva.

office love

M

inha homenagem ao grande Helmut Newton.

Hasselblad 503, Fuji Reala
Hasselblad 503, Fuji Reala

Suas cores e sua luz – ao mesmo tempo crua e sofisticadíssima – complementavam perfeitamente os temas de deliciosa decadência que ele gostava de explorar.

Feita na suíte presidencial do Hotel Glória, vítima da irresponsabilidade e incompetência de uns poucos deslumbrados. Fica a memória de um grande shoot, grande equipe e um lugar épico.

meu arsenal

D

 epois de ter trabalhado com um monte de câmeras e formatos, digitais e de película, qual equipamento eu escolheria para nunca me desfazer e usar sempre?blog3

Leia mais

um modo de retocar

H

á não muito tempo fui convidado a contribuir imagens para um site de “fine art photography” que dizia conservar a integridade da coisa. Mesmo sem saber muito o que seria isso, pensei “eba!” e fui ver do que se tratava. Não aceitavam fotografia digital, e não aceitavam scans tratados.

sabrina-sampaio-branco1v2
Exposição em cromo 6×6. Sabrina ficou horas sendo pintada de branco!

Antes disso, tentei entrar em um concurso europeu de fotografia de paisagem. Na época eu queria especificamente ver como se sairiam umas coisas que eu fiz em HDR, porque tinha achado um modo de fazer aquilo sem usar um software comprado, e ficava quase igual. Não pude entrar porque o regulamento proibia, especificamente, o HDR. Especificamente: podia-se tratar as imagens, pintar e bordar, mas nada de high range.

Leia mais

Sensores: Microfones de luz

A

ndei escrevendo aqui no blog que o tamanho físico do sensor não é um fator muito importante no workflow de produção de uma imagem fotográfica. Como este é um blog de fotografia com uma leve, e nada disfarçada, preferência pelo processo antigo de exposição e revelação de película e papel, fica parecendo implicância com o novo. Não é. Cada processo tem suas vantagens e desvantagens, e é preciso conhecer bem tudo isso para que se faça a escolha da ferramenta certa para um dado projeto.

O sensor funciona como um teste instantâneo (eba!) e também gera a imagem de custo mais baixo para a publicidade (oba!). Mas isso depende de entendermos como funciona esse treco, e como tirar maior vantagem dele.

Leia mais